Instituições de ensino não podem colocar o lucro acima da qualificação

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12/08/2020

 

No processo de formação de um profissional da saúde, nenhum interesse pode estar acima da preparação adequada daqueles a quem vidas serão confiadas. As circunstâncias atuais deveriam nos levar à reflexão da importância deste passo fundamental na jornada dos aprendizes. Infelizmente, vimos observando com preocupação instituições que, sem qualquer responsabilidade com a pessoa humana, priorizam o lucro em detrimento da formação profissional exigida para cuidarem de nossos filhos, pais, irmãos, amigos e de nós mesmos. Mas, vigilantes, jamais permitiremos que a saúde coletiva sofra mais este golpe.

Muitos destes enganadores disfarçados de promotores do ensino têm investido no público da Radiologia com a ilusão de uma dupla habilitação em áreas do saber distintas, se valendo de um aproveitamento improvável dos estudos radiológicos para abater parcela significativa de outras graduações. O resultado parece ser tão absurdo quanto a proposta. Seria o mesmo que utilizar fundamentos de nutrição nos cursos de Radiologia, por exemplo.

Cada ator de uma equipe multiprofissional percorre caminhos específicos, aprimorando habilidades em uma área de atuação. Ao se tornar especialista, essa aptidão fará a diferença no trabalho conjunto, cada um no seu respectivo campo. Isso deve ser respeitado!

Não há impedimentos para que uma pessoa possua mais de uma formação acadêmica, contudo, para se alcançar outras habilitações não se pode passar por cima de requisitos fundamentais. Para se formar técnico em Radiologia, um estudante precisa cumprir com, pelo menos, 1.200 horas de curso mais estágio. Tecnólogos, realizam o dobro dessa carga horária. Não observamos disciplinas que poderiam ser eliminadas em nome de um segundo diploma.

Do mesmo modo, um profissional das técnicas radiológicas não terá a devida qualificação para atuar em um outro campo da saúde se não tiver uma formação ampla e plena. Não existe um meio termo quando se trata da preparação acadêmica de trabalhadores responsáveis por salvar vidas. Não existe uma meia formação! A pessoa que se submete a essas condições corre o risco de jamais ser acolhida pelo mercado de trabalho ou, pior, de colocar em perigo o bem-estar de um paciente.

Não podemos deixar de citar um outro aspecto de extrema importância: o domínio do corpo docente sobre as disciplinas as quais se propõe ensinar. Questões financeiras são preponderantes para algumas instituições optarem por professores para ministrar cadeiras na Radiologia em que não possuem vivência e tampouco formação adequada e especializada, quando podemos nos orgulhar de termos profissionais inseridos no contexto educacional, com elevadíssima qualificação e que deveriam ser priorizados como educadores.

Desconfie das instituições de ensino que prometem encurtar uma trajetória. Todas as etapas do processo de aprendizagem devem ser cumpridas. Ao fim de tudo, devemos ter orgulho da nossa caminhada e de ter feito devidamente todas as etapas de uma carreira. Nenhum profissional de respeito chega a esse patamar pegando atalhos e caminhos tortuosos. Unidos somos mais fortes e alcançamos o respeito da sociedade por sermos responsáveis e humanizados!

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